Bom,
segunda-feira... Dia de cinema aqui no blog, não dava pra faltar uma crítica de
filmes, né? Vai funcionar assim: Luara, Fernanda e eu (Artur) vamos falar sobre
determinado filme (resolvemos colocar três pessoas pra falar pelos pontos de
vista diferentes), e vocês comentam suas opiniões a respeito da crítica e do
filme! Vamos lá então...
Como o blog tá começando agora, e o novo remake de
Carrie acabou de estrear nas telonas, achamos que seria interessante falarmos
sobre os filmes já feitos sobre esse clássico do Stephen King. Por motivos de
força maior, seremos apenas Luara e eu falando hoje, e apenas a Luara vai dar
ênfase pra essa nova versão.
Posso começar? Ok...
...
Primeiro de tudo, vou só
deixar claro que todos os filmes que eu falar aqui e que forem adaptações de
livro serão criticados apenas como FILME, não como adaptação. Tem muuuita coisa
que fica incrível nas páginas, que não funcionaria nas telas, por isso “porque
no livro era diferente” não é argumento pra mim.
“Carrie” teve algumas versões
ao longo dessas últimas décadas: o original de 1976, uma “continuação” em 1999
com o nome de “The Rage: Carrie 2” (A Maldição de Carrie, na tradução), o
remake em 2002 e o mais novo remake de 2013.
Eu particularmente
desconsidero a versão de 1999... Um filme fraco, com uma história que não me
convenceu e atuações bem “mais ou menos”. O principal problema pra mim foi
terem tentado fazer exatamente a mesma coisa que o original, com apenas algumas
pequenas diferenças (como a garota ser menos “estranha” e ela perder o controle
numa festa com os populares da escola, e não num baile), e com a presença da
personagem Sue Snell, que, ao meu ver, não acrescentou nada ao filme.
Voltando as versões de 1976 e
2002, foram épocas extremamente diferentes para o cinema. O original conta com
um ótimo elenco, com atuações incríveis, personagens fortes. Sissy Spacek
(Carrie White) consegue mostrar o quão deslocada sua personagem é das coisas a
sua volta; Piper Laurie (Margaret White) convence como fanática religiosa, e
chega a realmente assustar a forma como a mãe de Carrie encara as coisas! O que
foi pra mim a diferença mais gritante entre as duas versões... 1976 era uma
época com poucos efeitos especiais, não era assim tão simples fazer pessoas e
objetos voando por um ginásio em chamas, é uma época em que as atuações
contavam muito para convencer o público; em contrapartida, em 2002 tudo isso já
era mais comum no cinema, o filme conta com ótimas cenas enquanto Carrie
banhada em sangue de porco sai da escola e caminha pela cidade. O ponto fraco
disso é: Se perderam no meio de tantos efeitos. Chuvas de meteoros, móveis
flutuando pela casa, tudo soa meio exagerado, e, com tantos efeitos, as
atuações acabam ficando em segundo plano: a professora não tem mais a voz
autoritária que tinha antes, a mãe é muito polida, continua sendo fanática
religiosa, mas com menos da loucura transparecendo em suas ações e seus olhos.
Apenas Angela Bettis me convenceu, interpretando uma Carrie tímida, assustada,
descontrolada, mas com vontade de pertencer a algum lugar...
A conclusão é simples: O
original continua sendo melhor na maioria dos casos.
...
A direção de Brian De
Palma em 1976 conseguiu transformar Carrie,
a estranha, livro de Stephen King, em um clássico do cinema. O filme acabou
caindo na ‘modinha’ de Hollywood e ganhou um remake (seria, talvez, um desgaste
criativo dos estúdios?).
Agora na direção de
Kimberly Pierce (Meninos não Choram)
o longa, sem grandes mudanças, segue (ou ao menos tenta seguir) os moldes da
primeira produção e não acrescenta novidades ao roteiro. A história, todos já
conhecem, porém agora com uma cara nova; Chloe Moretz (Kick Ass – quebrando tudo) surge no papel de Carrie. Alias posso
dizer que a atuação da garota de 16 anos leva o filme inteiro nas costas,
compensando as péssimas atuações do restante do elenco (algumas chegando a
beirar a comédia). A atriz Julianne Moore (Silêncio
dos Inocentes) também divide o peso com Chloe, interpretando a mãe de
Carrie (que veio em uma versão ainda mais pirada).
Com efeitos especiais
que fazem você soltar palavrões durante as cenas e jogadas de câmera pra lá de
hollywoodianas, o filme pode decepcionar um pouco os fãs de um bom clássico. A
preocupação emocional que De Palma teve em 1976 ao mostrar todo conflito
adolescente que Carrie passava, a mudança de fase de uma garota perturbada e
uma narrativa que adentrava aos poucos na vida daquela jovem foram esquecidos
por Pierce. O foco nos poderes telecinéticos da garota, que estranhamente
aumentam de uma cena para outra, e no bullying praticado no colégio desviam a
narrativa principal, aquela mesma que King pensou quando escreveu seu livro.
Chloe tenta em sua
atuação trazer um pouco dessa Carrie à lá Sissy Spacek (atriz que interpretou o
mesmo papel na primeira versão) e de fato foi uma das coisas que mais salvou no
filme e que gostei. Os longas que Moretz vem fazendo mostram a sua elevação e
com esse não foi diferente. Percebemos então um De Palma que soube lidar com os
temas complexos que o livro traz, porém com uma produção de 1976 sem muitos
efeitos, muitas fantasias. Do outro lado, Pierce, que parece ter esquecido de
alguns detalhes importantes; talvez por essa nova cultura fast da sociedade, de
consumir as coisas rapidamente ou somente porque não soube entender a essência
de Carrie. Porém a diretora traz uma produção dos dias atuais, cheias de
efeitos malucos, câmeras lentas que fazem você vibrar e cenas de tirar o folêgo
e para o público de hoje, apenas isso basta.
Os classicistas de
plantão odiarão, já os moderninhos acharão o máximo. No geral posso dizer que
não é um filme que traz novidades no roteiro (acho que nem poderia), tem uma
atuação muito boa de Chloe Moretz, bons efeitos, boas imagens, mas é um filme
raso. Porém, aos olhos de Hollywood, é decente.
Luara Oliveira