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sábado, 14 de dezembro de 2013

Ringue Musical: Born This Way x ARTPOP



Olá galera! 


Aqui, como em um ringue de verdade, teremos confrontos. Dois artistas de mesmo gênero (ou não), duas músicas, dois álbuns, dois estilos, enfim...o que for polêmico será confrontado! E como Lady Gaga é a mãe das polêmicas (se posso chama-la assim) e seu álbum, Artpop, acabou de ser lançado...porque não?


Vou começar falando de Born This Way, o segundo álbum da cantora. Toda a expectativa e mistério que envolviam o lançamento do álbum caíram por água abaixo quando o single ‘Born This Way’ foi lançado. As inúmeras comparações com a música ‘Express Yourself’, da Madonna (uma tremenda falta de sorte de Lady Gaga) e os comentários em cima disso criaram um verdadeiro estado de alerta sobre o que seria esse tal álbum da cantora. Mas tudo bem, a espera ainda era grande e então...Lady Gaga lançou ‘Judas’ como seu mais novo hit, gerando mais polêmica (talvez para abafar o caso anterior). E por fim, o álbum completo. Quando ouvi Born This Way pela primeira vez tive a sensação estar ouvindo uma Lady Gaga confusa. Era como se toda aquela expectativa e pressão em cima da cantora tivessem resultado naquele trabalho, que posso dizer, não é o melhor de sua carreira. Conhecida por trazer sempre uma inovação para o pop, o ‘tudo junto e misturado’ da cantora mostrou que até mesmo as divas têm seus dias ruins e de falta de criatividade.

Obviamente não podemos dizer que o álbum é inteiramente ruim. Não. Faixas como ‘The Edge of Glory’, ‘Marry the Night’ e até mesmo ‘Judas’ merecem tal reconhecimento. Ali você ainda consegue perceber o que Gaga tentou fazer, você sente uma luz no fim do túnel e vê que nem tudo está perdido na cabeça da cantora. O álbum não agradou nem um pouco e deixou os fãs preocupados. Seria esse o fim da carreira de Lady Gaga? Com certeza não. Ela apenas errou a mão. Sabe quando estamos cozinhando, e ai colocamos sal demais na comida? Lady Gaga colocou sal demais em seu álbum, que ficou difícil de engolir. Born This Way, para mim, virou um álbum para escutar apenas as minhas músicas preferidas, tipo ‘You and I’ e ‘Judas’, ao contrário dos anteriores que faço questão de ouvir da primeira a última música. Se tornou um álbum cansativo, enjoativo, de apenas três vezes no repeat, no máximo!

Depois disso, Lady Gaga, em uma tentativa (talvez) de confortar os fãs e dizer que estava tudo bem decidiu fazer a Born This Way Ball Tour, que inclusive passou pelo Brasil, mostrando que nos palcos a cantora continuava a mesma. E então, ela partiu para trabalhar em seu próximo álbum que...




...que continuou um mistério. A cada postagem da cantora no Instagram, com alguma foto bizarra, a cada frase misteriosa no twitter, já era motivo para se abrirem fóruns e fóruns de discussão a respeito do que seria esse novo álbum da cantora. Para acabar com o mistério, Lady Gaga soltou 'Applause'. E foi uma surpresa! Com um clipe cheio de referências artísticas, a cantora chegou mandando o recado ‘estou aqui para ser aplaudida’; e foi o que fizemos. Menos preocupados esperamos pacientemente pelo álbum inteiro. Quando escutei Artpop pela primeira vez estava com um pé atrás, mas quando ouvi a gargalhada (literalmente) que Lady Gaga dá logo no começo do cd eu vi que a causadora de polêmicas estava de volta. Era como se ela estivesse rindo da nossa cara, como quem diz ‘estou de volta e vocês vão ter que me ouvir’. E é em Aura (primeira música do álbum) que ela pergunta: ‘Do you want to see the girl who lives behind the aura?’ e aceitamos a proposta.

Com batidas novas, experimentações, vozes diferentes, Lady Gaga te traz um novo conceito de pop, aquele Q a mais que ela fazia em cada álbum dela (menos em Born this Way). Está tudo ali, para ser apreciado. Ela mostra seu poder se compor músicas que em poucos segundos ficam grudadas na cabeça, com refrões fácil de serem decorados; confesso que em pouco tempo ouvindo as músicas eu já estava cantando, dançando, e tinha até me esquecido de prestar atenção nas letras. Gaga traz um álbum inteiramente sexual, mas de um jeito tão bom e tão gostoso que você nem se importa quando ela diz ‘When I lay in bed I touch myself and thinka you’, na música 'Sexxx Dreams' (que é uma das minhas preferidas). A cantora trouxe duas parcerias para seu álbum: a primeira é com o rapper T.I Too Short e a segunda com R. Kelly. Na primeira temos a música 'Jewels n’ Drugs', que tem uma batida muito interessante (me lembrou as músicas da M.I.A, que são bem diferentes). Já na segunda temos a música 'Do What U Want', super dançante, com um refrão fácil de decorar, e com uma certa indireta para os que esperavam mais um fracasso da cantora ‘U can’t stop my voice cuz, U don’t own my life’ (meio autoexplicativo acho eu). E assim o álbum segue, aumentando de ritmo a cada música, exatamente como se você estive em uma pista de dança. ARTPOP, música que dá nome ao cd, foi a que menos me surpreendeu. Esperava algo mais, algo diferente, inovador, mas tudo bem, um deslize no meio do caminho faz parte.

Parece que a cantora sabia exatamente onde colocar cada música, pois quando você está cansado de dançar, pular, ouvir tantas batidas ela traz 'Dope'. Uma das músicas lentas e mais bonitas que já ouvi de Lady Gaga. Gosto bastante de 'Spechless' (de The Fame Monster), mas confesso que Dope roubou esse lugar. Com uma letra, soando até meio triste, temos apenas Gaga, seu piano e sua voz. Sem efeitos, sem batidas, sem truques. É praticamente como se você estivesse em um show acústico da cantora; gostei bastante de ouvir a voz da cantora assim. E ai ela finaliza com 'Gypsy', que é super dançante e conta uma história bonitinha. E então temos 'Applause', como se ela jogasse na nossa cara ‘e agora que eu mostrei tudo isso, me aplaudam’. É exatamente isso que temos que fazer. Gaga mostrou a Lady dos velhos tempos. 


Pois bem, nessa nossa luta de hoje temos, de um lado, Born this Way. Um álbum chato, em que você pode contar nos dedos as músicas que se salvam. Um cd feito para ouvir no máximo 3 vezes inteiro e pronto. Mostrando uma fase confusa, talvez, da cantora. Em que ela quis tanto acertar, que acabou errando. Do outro lado temos ARTPOP. Um álbum que você consegue ouvir inteiro e mais 3 vezes com certeza. Com batidas novas, refrões grudentos, dancinhas coreografadas (na certa) vemos uma velha nova Lady Gaga aparecer. Posso dizer que por nocaute de pop, Artpop leva o nosso cinturão de hoje. Alias, de hoje não! De amanhã, de depois, de daqui há alguns anos. Artpop é um álbum para ser guardado com carinho, pois mostra uma nova fase da cantora. Aquela fase em que ela soube surpreender todos novamente.

Luara Oliveira

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