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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quem nunca...quis ler sobre um filme?

Bom, segunda-feira... Dia de cinema aqui no blog, não dava pra faltar uma crítica de filmes, né? Vai funcionar assim: Luara, Fernanda e eu (Artur) vamos falar sobre determinado filme (resolvemos colocar três pessoas pra falar pelos pontos de vista diferentes), e vocês comentam suas opiniões a respeito da crítica e do filme! Vamos lá então...

Como o blog tá começando agora, e o novo remake de Carrie acabou de estrear nas telonas, achamos que seria interessante falarmos sobre os filmes já feitos sobre esse clássico do Stephen King. Por motivos de força maior, seremos apenas Luara e eu falando hoje, e apenas a Luara vai dar ênfase pra essa nova versão.
Posso começar? Ok...
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Primeiro de tudo, vou só deixar claro que todos os filmes que eu falar aqui e que forem adaptações de livro serão criticados apenas como FILME, não como adaptação. Tem muuuita coisa que fica incrível nas páginas, que não funcionaria nas telas, por isso “porque no livro era diferente” não é argumento pra mim.
“Carrie” teve algumas versões ao longo dessas últimas décadas: o original de 1976, uma “continuação” em 1999 com o nome de “The Rage: Carrie 2” (A Maldição de Carrie, na tradução), o remake em 2002 e o mais novo remake de 2013.
Eu particularmente desconsidero a versão de 1999... Um filme fraco, com uma história que não me convenceu e atuações bem “mais ou menos”. O principal problema pra mim foi terem tentado fazer exatamente a mesma coisa que o original, com apenas algumas pequenas diferenças (como a garota ser menos “estranha” e ela perder o controle numa festa com os populares da escola, e não num baile), e com a presença da personagem Sue Snell, que, ao meu ver, não acrescentou nada ao filme.
Voltando as versões de 1976 e 2002, foram épocas extremamente diferentes para o cinema. O original conta com um ótimo elenco, com atuações incríveis, personagens fortes. Sissy Spacek (Carrie White) consegue mostrar o quão deslocada sua personagem é das coisas a sua volta; Piper Laurie (Margaret White) convence como fanática religiosa, e chega a realmente assustar a forma como a mãe de Carrie encara as coisas! O que foi pra mim a diferença mais gritante entre as duas versões... 1976 era uma época com poucos efeitos especiais, não era assim tão simples fazer pessoas e objetos voando por um ginásio em chamas, é uma época em que as atuações contavam muito para convencer o público; em contrapartida, em 2002 tudo isso já era mais comum no cinema, o filme conta com ótimas cenas enquanto Carrie banhada em sangue de porco sai da escola e caminha pela cidade. O ponto fraco disso é: Se perderam no meio de tantos efeitos. Chuvas de meteoros, móveis flutuando pela casa, tudo soa meio exagerado, e, com tantos efeitos, as atuações acabam ficando em segundo plano: a professora não tem mais a voz autoritária que tinha antes, a mãe é muito polida, continua sendo fanática religiosa, mas com menos da loucura transparecendo em suas ações e seus olhos. Apenas Angela Bettis me convenceu, interpretando uma Carrie tímida, assustada, descontrolada, mas com vontade de pertencer a algum lugar...
A conclusão é simples: O original continua sendo melhor na maioria dos casos.

Artur Trindade
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A direção de Brian De Palma em 1976 conseguiu transformar Carrie, a estranha, livro de Stephen King, em um clássico do cinema. O filme acabou caindo na ‘modinha’ de Hollywood e ganhou um remake (seria, talvez, um desgaste criativo dos estúdios?).
Agora na direção de Kimberly Pierce (Meninos não Choram) o longa, sem grandes mudanças, segue (ou ao menos tenta seguir) os moldes da primeira produção e não acrescenta novidades ao roteiro. A história, todos já conhecem, porém agora com uma cara nova; Chloe Moretz (Kick Ass – quebrando tudo) surge no papel de Carrie. Alias posso dizer que a atuação da garota de 16 anos leva o filme inteiro nas costas, compensando as péssimas atuações do restante do elenco (algumas chegando a beirar a comédia). A atriz Julianne Moore (Silêncio dos Inocentes) também divide o peso com Chloe, interpretando a mãe de Carrie (que veio em uma versão ainda mais pirada).
Com efeitos especiais que fazem você soltar palavrões durante as cenas e jogadas de câmera pra lá de hollywoodianas, o filme pode decepcionar um pouco os fãs de um bom clássico. A preocupação emocional que De Palma teve em 1976 ao mostrar todo conflito adolescente que Carrie passava, a mudança de fase de uma garota perturbada e uma narrativa que adentrava aos poucos na vida daquela jovem foram esquecidos por Pierce. O foco nos poderes telecinéticos da garota, que estranhamente aumentam de uma cena para outra, e no bullying praticado no colégio desviam a narrativa principal, aquela mesma que King pensou quando escreveu seu livro.
Chloe tenta em sua atuação trazer um pouco dessa Carrie à lá Sissy Spacek (atriz que interpretou o mesmo papel na primeira versão) e de fato foi uma das coisas que mais salvou no filme e que gostei. Os longas que Moretz vem fazendo mostram a sua elevação e com esse não foi diferente. Percebemos então um De Palma que soube lidar com os temas complexos que o livro traz, porém com uma produção de 1976 sem muitos efeitos, muitas fantasias. Do outro lado, Pierce, que parece ter esquecido de alguns detalhes importantes; talvez por essa nova cultura fast da sociedade, de consumir as coisas rapidamente ou somente porque não soube entender a essência de Carrie. Porém a diretora traz uma produção dos dias atuais, cheias de efeitos malucos, câmeras lentas que fazem você vibrar e cenas de tirar o folêgo e para o público de hoje, apenas isso basta.
Os classicistas de plantão odiarão, já os moderninhos acharão o máximo. No geral posso dizer que não é um filme que traz novidades no roteiro (acho que nem poderia), tem uma atuação muito boa de Chloe Moretz, bons efeitos, boas imagens, mas é um filme raso. Porém, aos olhos de Hollywood, é decente.



Luara Oliveira

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